Ébola. 16.250 doses da vacina Ervebo da OMS chegam à RDCongo

Ébola. 16.250 doses da vacina Ervebo da OMS chegam à RDCongo

Um lote de 16.250 doses da vacina Ervebo chegou esta sexta-feira à República Democrática do Congo (RDCongo), país que enfrenta a mais mortífera epidemia de Ébola da sua história, reportou a agência France-Presse.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Thomas Mukoya - Reuters

A RDCongo declarou a 15 de maio, com várias semanas de atraso, a sua 17.ª epidemia de Ébola, em regiões do norte e do leste onde a presença do Estado é frágil, as infraestruturas de saúde são precárias e a resposta foi ultrapassada pela explosão de casos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou na quinta-feira a disponibilização de um total de 70.000 doses da vacina Ervebo, produzidas na Alemanha.

A vacina do laboratório farmacêutico Merck está autorizada contra a estirpe Zaire do vírus, mas não contra a estirpe Bundibugyo atualmente em circulação no país. Os especialistas da OMS ainda desconhecem se o Ervebo protege contra a Bundibugyo em humanos, mas dados preliminares em laboratório e em animais sugerem que poderá oferecer alguma proteção.

"O Ervebo já foi utilizado várias vezes e, nomeadamente, de forma muito significativa durante a epidemia de 2018 a 2020", declarou à imprensa o ministro da Saúde da RDCongo, Samuel Roger Kamba, presente na pista do aeroporto de Kinshasa, onde este lote de 16.000 doses foi entregue por avião na sexta-feira.

Das 70.000 doses disponibilizadas à RDCongo, 20.000 destinam-se a um ensaio clínico e 50.000 "aos trabalhadores da linha da frente e profissionais de saúde", explicou a OMS.

A epidemia de Ébola na RDC já provocou 2.516 mortes em 5.290 casos confirmados, segundo os últimos dados das autoridades congolesas.

Julien Harneis, coordenador principal para o Ébola das Nações Unidas, alertou que a pandemia tem progredido "de forma exponencial".

A 07 de agosto, a OMS recomendou avaliar o Ervebo em ensaio clínico.

Duas vacinas específicas contra a estirpe Bundibugyo estão em fase de ensaios clínicos: uma desenvolvida pelo grupo norte-americano Moderna, que utiliza a tecnologia de mRNA, e outra pela Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Além disso, uma vacina "rVSV Bundibugyo", apresentada pela OMS como "a mais promissora", deverá ser desenvolvida pelos Hilleman Laboratories, organização sediada em Singapura.

O vírus Ébola, transmitido por contacto com fluidos corporais e causador de febre hemorrágica, já matou mais de 15.000 pessoas em África nos últimos 50 anos.

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